Clube da Maconha - Seu uso medicinal
Nos EUA, o uso medicinal da maconha está transformando traficantes em empresários de sucesso
Fitas de THC [princípio ativo da cannabis] que dissolvem na boca. É nisso que Daniel está pensando: quer pegar aquelas coisinhas gelatinosas que parecem durex com menta, e servem para refrescar o hálito, e adicionar óleo de maconha. Ele conhece um fabricante que sabe produzir soluções concentradas de erva e descobriu como fazer com que o óleo se fixe no pullulan - o mesmo polissacarídeo [açúcar] em gel que a marca Listermint usa para fazer seu produto. Agora, muitos estão vendendo essa novidade em saquinhos plásticos com uma etiqueta que diz: "Apenas para uso medicinal", por cinco ou seis dólares cada fita. A maior parte das pessoas recomenda que se use uma só, mesmo que demore muito para bater, porque, se você tomar duas, vai ficar "impotente" por um período de seis a oito horas."Tudo nos Estados Unidos hoje é controlado por grandes empresas", diz Daniel, dirigindo pela auto-estrada Los Angeles 405. "Mas ainda é possível criar inovações usando o conhecimento das antigas, como fizemos no início da história deste país." O setor a que Daniel se refere é o da maconha para fins medicinais, a nova fronteira que se abriu na Califórnia nos últimos anos [como parte das operações de Daniel podem ser consideradas ilegais, seu nome, e outros detalhes, foram mudados para preservar sua identidade].
Contrariando a crença popular, a marijuana como remédio não atende apenas a pacientes com aids e com câncer: o estatuto de saúde associado à "Proposição 215", uma lei inovadora aprovada há dez anos, torna legal o uso para quem tem "qualquer doença que possa ser aliviada pela erva". Há muita gente que se encaixa nesta categoria, e diferentes oportunidades de negócio para quem ganha a vida servindo a esses clientes: profissionais de saúde cheios de compaixão, botanistas aficcionados pela arte de plantar, rapazes confiáveis de Long Beach, garotões de San Fernando Valley, brutamontes de Oakland e até mesmo uma moça engenhosa que quer colocar amigas para vender maconha usando só tapa-mamilos. Mas, como acontece em qualquer negociação ligada às drogas, o elemento criminal persiste: armários fechados para guardar o estoque, cofres cheios de dinheiro vivo e armas para se proteger de ladrões tentando roubar esses armários e os cofres. Além da possibilidade de ir para a cadeia a qualquer batida policial.
Hoje, maconha virou "remédio" e os cultivadores são "distribuidores". Daniel não é traficante: ele é um "fornecedor". Em dezembro de 2006, houve até uma "copa de cannabis medicinal" [uma competição de sabor] em um galpão de Hollywood, na frente da loja de discos Amoeba Records. Enquanto B-Real, do Cypress Hill, fazia seu show, os pacientes se chapavam de modo saudável, com seda de celulose 100% natural e bombas de erva cheias de produtos como o "bubble hash" (haxixe-bolha), feito por meio da extração a frio. Em um dos estandes, um "distribuidor" da região norte da Califórnia vendia pacotinho de Kush (um fumo com sabor doce e apimentado); em outro, um cara de bigode, com aquelas roupas verdes de hospital, oferecia fatias de pizza com um grama de erva e "churrasco de peito de frango medicinal" por dez dólares cada um. "Fiquei surpreso pela maneira como esse ramo se transformou em negócio comercial", diz Dale Gieringer, diretor da NORML [National Organization for the Reform of Marijuana Laws - Organização Nacional para a Reforma das Leis Relativas à Maconha] da Califórnia e um dos autores da "Prop 215". "A energia está concentrada na maconha medicinal para a geração mais nova, e já existe uma indústria por trás disso."
"Só porque há um estigma em relação às drogas, não significa que nosso negócio não possa ser administrado de maneira inteligente", salienta Daniel, que nunca foi traficante de rua - começou no ramo com um empréstimo de US$ 50 mil feito pelos pais e, depois disso, guardou os US$ 50 mil que ganhou em lucros para pagar futuros honorários advocatícios. Ele está perto dos 30 anos, tem diploma de faculdade e trabalhou em administração, mas resolveu ficar longe do mundo corporativo. Rapaz articulado, gentil e com mente matemática, veste-se de maneira conservadora para não atrair atenção indesejada das autoridades - o efeito é bem parecido com Andrew McCarthy no filme Abaixo de Zero (de 1987). "Sempre digo: nunca se compare com os medíocres - use sua capacidade de administração para se colocar em um nível mais alto", acrescenta Daniel. "O maior problema deste setor, neste momento, é a mentalidade dos chapados."
A estrada 405 agora está congestionada. Daniel dá uma olhada no celular: a assistente dele, que colocou silicone nos seios, ligou para dizer que está com muita dor. Sua mente não pára de trabalhar. Ele sonha em ter a máquina de produção comercial de pullulan, usada pela Listermint, e, assim, produzir zilhões de fitas com THC. O equipamento custa US$ 50 mil, mas dinheiro não é o problema.
O primeiro passo para comprar erva medicinal é conseguir uma receita médica, que geralmente é um documento de Word impresso por um computador [como a droga é substância controlada, os profissionais da saúde preferem não fazer a prescrição em seus prontuários]. É muito fácil encontrar mais de 50 doutores partidários da maconha na internet, em sites como GanjaGrocer.com, por telefone, pelo número 888-POT-DOCS, no MySpace, em cartões-postais com distribuição gratuita, pelo rádio e em folhetos. A consulta custa cerca de US$ 150 e normalmente tem validade de um ano. Os médicos preferem que os pacientes forneçam comprovação médica de seus males, mas a falta de papelada não impede que a receita seja passada (o governo não mantém registro completo do número de pessoas que usam maconha medicinal, mas os partidários dizem que há cerca de 250 mil usuários). A consulta não é coberta pelo seguro-saúde, mas alguns profissionais garantem a devolução do dinheiro: se você não for aprovado para o uso, não precisa pagar a visita!
Empresários que desejam maximizar seus ganhos com a cannabis-remédio costumam investir nos médicos; é comum pagarem metade do valor da consulta de cada paciente, o que é bem justo, já que os conselhos de medicina ameaçaram suspender algumas licenças. No dia em que visitei um consultório em Hollywood, praticamente todo mundo saía de receita na mão - e são cerca de 30 pacientes por dia. Os telefones tocavam sem parar e o patrão precisou atender algumas ligações porque a recepcionista não estava dando conta: o Better Business Bureau [associação de defesa dos direitos do consumidor] quer incluí-lo em seu banco de dados, o gabinete do procurador da justiça tem algumas dúvidas a respeito da natureza específica da doença de um paciente com problemas legais e dois chapados querem saber como chegar ao consultório. "Passamos muito tempo explicando como se faz para vir até aqui", diz ele, irritado.
Uma receita médica abre as portas para o mundo maravilhoso dos clubes de maconha, conhecidos como "dispensários". Na Califórnia - diferentemente dos 11 outros estados norte-americanos com leis relativas à cannabis medicinal -, existe uma vaga proteção legal para lojas, ao estilo de Amsterdã (Holanda), que vendem drogas medicinais. Com nomes como "Compassionate Caregivers" [profissionais de saúde cheios de compaixão], "Earth Healers" [curadores da terra] ou "Kush Mart" [mercadinho de kush; bem menos obscuro], esses estabelecimentos são o paraíso dos maconheiros - parecem farmácias de antigamente, com vitrines de vidro cheias de frascos, apresentando 20 ou 30 tipos de erva, quase todos de qualidade excepcional, com preços que variam entre US$ 35 e US$ 100 por 3,6 gramas. Qualquer dispensário de respeito também vende: haxixe, geléias de maconha, chás de maconha, pirulitos de maconha [Hydropops], doces com maconha, manteiga de amendoim com maconha, sorvete com maconha e, pelo menos, meia dúzia de sabores de refrigerante de maconha (às vezes em máquinas que funcionam com moedas).
A base legal para a existência deste tipo de estabelecimento sustenta-se por um fio: na Califórnia, é legal que os "pacientes" tenham em seu poder 230 gramas de erva. Mas o mais importante é que o governo federal dos Estados Unidos continua considerando a posse e a venda 100% ilegal, seja ela comercializada por um dispensário em Santa Monica Boulevard ou por um cara sorrateiro em um beco perto de um escola de ensino médio. "Não fazemos diferenciação entre quem usa a lei estadual para distribuir maconha e quem faz tráfico nas ruas", explica a agente especial Sarah Pullen, da Divisão Anti-Drogas de Los Angeles. "Maconha é maconha." Apenas um punhado de agentes da Divisão Anti-Drogas trabalha com a maconha medicinal em Los Angeles, e isso não é páreo para o tino comercial dos norte-americanos. Em São Francisco, os clubes são regulamentados e, em San Diego, só faltou a prefeitura convidar os agentes federais para fechar todos os existentes ali; Los Angeles, no entanto, goza de liberdade completa. Cerca de 200 dispensários abriram neste condado desde que uma lei estadual do Senado garantiu proteção a esses locais.
Em uma noite de sábado não há muito tempo, pacientes enchiam a sala de espera da loja de Daniel que recebe mais público - ele tem participação em diversos dispensários de Los Angeles que ficam abertos sete dias por semana. Daniel quer ajudar os doentes e isenta as taxas de quem não tem dinheiro para pagar pelos "remédios". Algumas lojas entregam em casa, mas o dono do negócio não acha que valha a pena quando se leva em conta o preço do seguro e da gasolina. Outros estabelecimentos (de produtos diferentes) pagam imposto sobre as vendas, mas ele ainda não, com base no princípio de que remédios são isentos de taxas. Ele se orgulha em dizer que tem a melhor seleção de ervas de Los Angeles, com dúzias de tipos listados na lousa a cada dia - com várias Purps e muitas, muitas Kushes (uma verdadeira febre entre os consumidores de Los Angeles).
Uma mulher de moletom azul- fluorescente entra na loja, passando por três barreiras de segurança: um vigia armado, uma gaiolinha fechada e duas portas com alarme. Daniel já foi assaltado mais de uma vez, mas observa com um toque de orgulho que nunca sofreu um "roubo de controle". Isso acontece quando os bandidos se fantasiam de policiais e fingem estar dando uma batida, amarram os clientes e roubam tudo o que está à vista

que cool galera!!! pensa bem se tivesse essas lojinhas aqui na city a galera ia morar lah eu iria querer ateh montar uma
ResponderExcluirkkk
mas so em paises de primeiro mundo para
leis funcionarem
aqui dificilmente alguma coisa daria certo